Síndrome rara que já atingiu 197 crianças e jovens pós-Covid no Brasil poder causar febre e mais 8 sintomas

Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pode ser desenvolvida em pessoas de 0 a 19 anos que foram previamente infectadas. Quatorze morreram por complicações. Doença atinge crianças e jovens que já tenham contraído Covid-19
O Brasil já registrou 197 casos e 14 óbitos de crianças e jovens que desenvolveram uma síndrome inflamatória rara após terem sido infectados pelo novo coronavírus, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pode se desenvolver em pessoas de 0 a 19 anos que tiveram Covid-19 previamente e que, inclusive, já estão curadas da doença. “Cabe ressaltar que estas ocorrências foram raras até o momento, frente ao grande número de casos com boa evolução da doença entre crianças e adolescentes”, afirmou o Ministério da Saúde.
“Esses casos começaram a ser reportados na Europa, nos Estados Unidos e depois aqui no Brasil. Eles foram classificados como uma síndrome inflamatória pós-Covid”, explica o infectologista e pediatra membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri.
A maioria dos casos (38%) está entre crianças de 0 a 4 anos. São 75 registros da síndrome nessa faixa etária. Em seguida, está a faixa dos 5 aos 9 anos, com 65 casos; dos 10 aos 14, com 49; e de 15 a 19, com 8 casos.
O primeiro critério para avaliação dessa síndrome é que o paciente tenha tido Covid-19 previamente. Entre os sintomas, estão:
febre
conjuntivite
manchas vermelhas no corpo
problemas gastrointestinais
dor abdominal
vômitos
inchaço nas articulações
tosse
falta de ar
“São sintomas muito parecidos com os da Síndrome de Kawasaki, que também só atinge crianças e jovens. Mas é uma síndrome nova, e ninguém sabe ainda o porquê de algumas crianças estarem tendo isso depois da Covid-19, e outras não”, afirma o infectologista Kfouri.
Esse foi o caso de João Vitor, de 6 anos. Ele apresentou febre por cinco dias, fortes dores abdominais e manchas no corpo. A família do menino o levou a quatro médicos diferentes até conseguir receber um diagnóstico. “Um deles chegou a dizer que era dor psicológica”, conta Fernanda Janneo, tia dele.
Quatro dias após o início dos sintomas, quando a conjuntivite apareceu, os médicos conseguiram realizar o diagnóstico. João Vitor está internado desde 5 de setembro no Hospital Universitário da USP. Ele foi para a UTI e chegou a ser entubado.
“Primeiro, falaram que era Síndrome de Kawasaki. Depois, descobriram que ele já teve Covid-19. A gente não sabia, ele foi assintomático. Foi então que classificaram como essa síndrome pós-Covid”, explica Fernanda.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a principal diferença entre as duas síndromes é que a SIM-P registra maior frequência de manifestações gastrointestinais e de disfunção miocárdica nos pacientes. Além disso, a SIM-P também afeta crianças mais velhas, enquanto a Síndrome de Kawasaki é predominante em crianças até os cinco anos de idade.
A nova síndrome, que é considerada rara, foi registrada em 14 das 27 unidades federativas do país. O estado que registrou mais casos (21%) é o Ceará, com 41 notificações. Em seguida, estão: Pará (24 casos), Rio de Janeiro (22), São Paulo (19) e Distrito Federal (19).
Também foram registrados casos em Alagoas (9), Bahia (11), Espírito Santo (8), Minas Gerais (5), Paraíba (6), Pernambuco (9), Piauí (6), Rio Grande do Norte (9) e Rio Grande do Sul (9).
Entre as 14 mortes, 64% foram registradas em crianças de 0 a 4 anos. Foram 9 óbitos nessa faixa etária. As mortes aconteceram nos estados da Bahia (1), Ceará (2), Pará (3), Paraíba (2), Pernambuco (1), Piauí (1), Rio de Janeiro (3) e São Paulo (1).
O pediatra Kfouri afirma que o tratamento para essa síndrome inflamatória consiste num suporte cardiovascular, com remédios para o coração e também para a inflamação.
A doença se tornou notificação obrigatória no Ministério da Saúde em 17 de agosto, a pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria. Além disso, desde 24 de julho, o ministério disponibiliza uma plataforma online para monitorar casos de SIM-P associados à Covid-19.
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