Após críticas, Bolsonaro retira trecho de MP que previa suspensão de salários

O Diário Oficial da União (DOU) publicou na noite da segunda-feira, 23, em edição extra, a revogação de dispositivo de uma medida provisória, que previa a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses sem que houvesse uma compensação definida aos trabalhadores.

Uma primeira MP publicada na noite de domingo, 22, dizia que, na negociação para a suspensão do contrato, o empregador poderia conceder ao empregado ajuda compensatória mensal “com valor definido livremente entre empregado e empregador”.

Partidos políticos ameaçaram ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem dialogado com a equipe econômica sobre as medidas, classificou o texto de “capenga”.

O barulho foi tanto que o presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter dizer que o dispositivo seria revogado. Antes disso, a hashtag #BolsonaroGenocida chegou aos trending topics.

O presidente é profundamente sensível aos movimentos das redes.

Mais cedo, na segunda-feira, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou que Bolsonaro decidiu revogar o trecho em razão da “má interpretação” sobre o tema.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que houve um “mal entendido” e que Bolsonaro ligou para ele com a orientação: “Tira, porque estou apanhando muito.”

Segundo Guedes, a medida não estava redonda e faltou colocar a complementação ao salário, que poderá ser de 25% da remuneração original ou até um terço para empregados dos setores mais atingidos, como bares, restaurantes e hotelaria.

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