Panic buying toma conta do Reino Unido; Europa endurece medidas contra coronavírus

Londres ainda não parou como tantas outras capitais europeias, mas a apreensão com as notícias do coronavírus só cresce. O governo do conservador Boris Johnson insiste que ainda não é a hora de colocar a população em quarentena.

A estratégia tem como objetivo proteger a rede pública de saúde e evitar que ela transborde com muita gente ao mesmo tempo. Porém, o plano está sendo considerado arriscado e os britânicos estão cada vez mais impacientes — sobretudo com as imagens que vêm da Europa.

O chamado panic buying, que é quando as pessoas começam a estocar produtos sem necessidade, continua. As redes de supermercados têm feito apelos para a população manter a calma e não levar o sistema ao colapso.

O governo também avisou que a partir desta segunda (16) dará entrevistas coletivas diariamente para manter a população informada sobre a situação. O primeiro-ministro deve conduzir essas entrevistas em diversas ocasiões para tentar tranquilizar os britânicos.

Mas as notícias são, de fato, pavorosas. Mesmo com os estímulos bilionários anunciados nos Estados Unidos, na Grã Bretanha e na União Europeia, a instabilidade prossegue.

O corte de juros feito pelo Federal Reserve não parece ter surtido muito efeito — as principais bolsas europeias caem forte nesta segunda. Em Londres, o FTSE 100 opera em – 7,5%. CAC 40, em Paris, perto dos 10% de queda. DAX alemão, – 8%. Ou seja, podemos antecipar mais um dia de circuit break em São Paulo quando a Bovespa abrir daqui a pouco.

Na Espanha, que está em confinamento total, o governo já reconhece que o estado de emergência vai durar mais do que 15 dias. Na França — onde aulas estão suspensas, aglomerações estão proibidas, bares e restaurantes fechados — o governo também deve decretar confinamento total. O país jamais passou por tal situação em tempos de paz.

E outras medidas sem precedentes estão sendo tomadas em toda a Europa.

A Alemanha, que é a grande fiadora do projeto europeu, decidiu fechar suas fronteiras com França, Suíça, Áustria, Dinamarca e Luxemburgo a partir desta segunda. Isso é muito significativo diante do que está acontecendo e da total falta de coordenação global diante desta crise.

Na quarta-feira passada, Angela Merkel dizia que os países europeus não deveriam se isolar e sim buscar decisões em conjunto — mas o pânico com a rapidez em que o coronavírus está se espalhando parece ter falado mais alto.

O mais preocupante neste momento é que todas as autoridades europeias reconhecem que o pico do coronavírus ainda não foi alcançado na Europa. Vem muito mais problema pela frente e os impactos são incalculáveis no momento.

Só para dar um exemplo, a empresa que controla as companhias aéreas British Airways e Iberia, respectivamente as maiores da Grã Bretanha e da Espanha, anunciou que 75% de seus voos serão cancelados globalmente. É a maior crise da história da aviação civil.

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