Prefeitura do Rio adia férias de funcionários da saúde e suspende atividades culturais

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, na tarde desta sexta-feira (13), um conjunto de medidas para prevenir a circulação do coronavírus na cidade, uma vez que o número de casos pode aumentar nos próximos 15 dias.

Além da suspensão das aulas, que já havia sido adiantada pela Secretaria Municipal de Educação, foi divulgado o adiamento das férias de profissionais da saúde e assistência social por tempo indeterminado, a suspensão do alvará para eventos que causem aglomerações e a recomendação de turnos de trabalho com início alternado para a indústria, o comércio e os serviços.

Em entrevista coletiva ao lado de integrantes da cúpula do governo, o prefeito Marcelo Crivella informou que as medidas serão reavaliadas na próxima terça-feira (17), quando poderão ser suspensas ou acompanhadas de novas decisões. “Estamos confiantes de que, com as medidas preventivas, não teremos o caos que muitos anteveem”, disse Crivella, que pediu tranquilidade aos cariocas.

A prefeitura também suspendeu a programação de suas atividades culturais, como teatros, cinemas e lonas. Quanto aos locais culturais privados, a recomendação é que as pessoas evitem frequentá-los. Outra sugestão do poder municipal é que o Estádio Nilton Santos, popularmente conhecido como Engenhão, realize eventos esportivos sem público.

Além de suspender as licenças já concedidas para eventos na cidade, a prefeitura anunciou que não vai conceder novas autorizações. Também foram interrompidas as visitas a casas de repouso de idosos que pertencem ao poder público municipal, já que essa população é a que corre maior risco de desenvolver um quadro grave da doença.

A prefeitura informou que vai disponibilizar álcool gel em todas as suas repartições públicas e fazer parcerias com concessionárias de transporte, telefonia e meios de comunicação para reforçar a divulgação das práticas de prevenção ao coronavírus.

Prevenção

A única forma cientificamente comprovada de prevenir a Covid-19 é higienizar bem as mãos e evitar o contato das mãos sujas com o rosto, o nariz e a boca. Outros cuidados são usar lenços descartáveis após tossir e espirrar ou proteger a boca com o antebraço, se precisar fazer isso em público. A prefeitura do Rio recomenda ainda que pessoas com imunidade debilitada evitem sair de casa.

Uma das principais preocupações do poder público é evitar a lotação dos transportes públicos. Chegou a ser cogitado impedir que as pessoas fizessem viagens em pé em ônibus e transportes sobre trilhos, mas optou-se por sugerir que a indústria padronize turnos de trabalho com início às 6h; o comércio, às 8h; e os serviços, às 10h, para que os trabalhadores não usem os modais ao mesmo tempo.

“Isso nós recomendamos. Temos que preservar a atividade econômica, porque é ela que vai pagar a conta toda desse esforço que vamos fazer”, afirmou Crivella.

Disque Saúde

A secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, pediu que quem apresentar quadro semelhante a uma gripe sem maiores repercussões não procure as unidades de saúde.

“Nenhum sistema de saúde vai conseguir suportar se todas as pessoas que tiverem dúvidas procurarem uma dessas unidades. Para dúvidas, temos o Tele Saúde. O telefone é 136”, informou Beatriz. “Está tendo febre? Está tendo sintoma respiratório? Chegou a hora de procurar a clínica da família. A pessoa se conhece mais do que todo mundo. Está com dificuldade de respirar? Procure uma unidade de emergência.” O serviço citado pela secretária como Tele Saúde, é na verdade, o Disque Saúde, que atende pelo telefone 136.

A coordenadora de Vigilância em Saúde da prefeitura, Patricia Guttmamm, explicou que os testes para confirmação do coronavírus não serão feitos em todos os quadros. “O exame está sendo feito para pessoas com critérios, como história de viagem e ter tido febre, sintomas respiratórios e contato com caso confirmado” explicou, acrescentando que todo paciente grave internado terá o vírus pesquisado. “Não é simplesmente a pessoa que está com o nariz escorrendo, que está espirrando e com febre baixa. Ela não tem necessidade, nesse momento, de saber se é coronavírus ou não.”

Segundo a infectologista, os testes não são realizados nas unidades de saúde, onde é feita apenas a coleta do material. A partir daí, a amostra é avaliada no Laboratório Central (Lacen) estadual, que compara o vírus a outros agentes já conhecidos. Caso não haja compatibilidade com nenhum dos outros vírus, a amostra segue para a Fundação Oswaldo Cruz, onde é realizado o exame específico do coronavírus. “É um exame que tem custo e precisa de uma necessidade operacional. A gente tem que entender as indicações para fazer [os testes], e não ficar em uma questão de nervosismo.”

* Com informações da Agência Brasil

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