São Paulo trabalha com cenário de 1% a 10% da população potencialmente infectada pelo coronavírus

SÃO PAULO – O estado de São Paulo pode ter entre 1% e 10% de sua população infectada pelo novo coronavírus, com quadro leve a grave, nos próximos quatro meses. As informações foram dadas pelo infectologista David Uip, coordenador de um comitê de contingenciamento para enfrentar a chegada da doença no estado, em coletiva de imprensa concedida nesta quinta-feira (12). Hoje, o estado lidera a lista de casos, com 46 confirmados.

O discurso ocorre após a ampla circulação de um áudio gravado pelo médico Fábio Jatene, professor titular de cirurgia torácica do Instituto do Coração, falando sobre a expectativa de 45 mil casos confirmados de coronavírus no estado nos próximos quatro meses.

Na gravação, que circulou nas redes no início do dia, Jatene dizia que há uma expectativa das autoridades de explosão dos casos no Brasil, já que a disseminação da doença agora se dá de forma interna. Segundo ele, a projeção de 45 mil havia sido apresentada por Uip em uma reunião técnica da qual também participaram os médicos Marcelo Amato e Ésper Kallas.

Na coletiva de hoje, ao lado do governador João Doria, Uip disse que as projeções refletem o pior cenário em avaliação. “Então, essa foi a conversa e foi uma interpretação de um grande cirurgião e querido amigo, mas com posição de cirurgia, e não no contexto do planejamento”, disse.

“Nós planejamos de 1% a 10% [da população da Grande SP vai contrair o vírus]. Esse é o cenário. Então, é fazer contas. O que é um 1% de 26 milhões. O que é 80% de 1%, o que é 20% de 1%. Guardadas duas considerações: primeiro, que isso não se instala imediatamente, e que há a sazonalidade de uma pandemia. Nós não vamos precisar de todos os leitos amanhã. Vai se posicionando”, explicou.

“Segundo ponto importante: esta conta de 1% não é em cima dos 26 milhões, dos 26 milhões você elenca a população a partir de 50 anos de idade. Porque a população abaixo não vai ser internada e chega números e isso oferece ao gestor a possibilidade de ir em busca de recursos e investimento que é o papel do secretário de estado”, completou

A preocupação maior de Jatene no áudio era com a necessidade de leitos de UTI para o tratamento da doença. Mas as estimativas de Uip são de que 80% dos infectados manifestarão poucos sintomas e os 20% restantes devem precisar do sistema de saúde, sendo uma porcentagem menor com necessidade de internação. Para Uip, considerando este universo de casos que buscarão atendimento, 5% serão graves.

O governo anunciou, nesta quinta, a intenção de criar mil novos leitos de UTI na rede pública de saúde, sendo 600 na capital, que concentra mais casos. O estado tem hoje 7.200 leitos nesta categoria no SUS. Também está nos planos a compra de insumos, como kits e aparelhos respiratórios.

Apesar do avanço da doença, o governo estadual não adotou recomendações para cancelamento de eventos públicos. “O aconselhamento é que pessoas com mais de 55 anos que representam grupo de risco evitem aglomerações”, afirmou o governador João Doria.

“Não podemos levar pânico à população nem antecipar processos, porque o efeito é extremamente nocivo à população e à economia”, explicou o tucano.

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