Ação da Azul cai mais de 30% antes de circuit breaker; Petrobras desaba 18% e Vale cai 16%

Azul

SÃO PAULO – Mais uma vez, o noticiário corporativo é ofuscado e muito pelo clima de aversão ao risco no mercado com os desdobramentos da agora declarada pandemia de coronavírus, com o maior pessimismo potencializado pelo discurso de Donald Trump, presidente dos EUA, que não animou (veja mais clicando aqui) e pela derrota do governo no Congresso que pode custar R$ 217 bilhões aos cofres públicos em 10 anos. Desta forma, logo nos primeiros minutos antes do Ibovespa entrar em circuit breaker pela terceira vez na semana, os ativos desabaram.

As ações da Petrobras, equivalentes às ações ordinárias, despencaram, com baixa de até 18%, assim como os ativos da Vale, que caíram até 16%, em um ambiente de forte aversão ao risco refletindo a forte queda de cerca de 7% do brent após Trump anunciar suspensão de voos da Europa para os EUA.

As ações de aéreas, especialmente impactadas em meio ao cenário de alta do dólar e menor turismo com as restrições a viagens, despencaram. Azul teve baixa de 33% antes do circuit breaker, enquanto a Gol deve queda de 18%. No caso da Azul, a aérea divulgou resultado e informou ter suspendido as suas projeções para 2020, afirmando que tomou medidas para reduzir o impacto do coronavírus, reduzindo a capacidade internacional entre 20% e 30%.

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Petrobras (PETR3;PETR4

A Petrobras informou que atingiu produção recorde no campo petrolífero de Búzios, que fica no pré-sal da Bacia de Santos. Segundo a estatal, em 10 de março a empresa atingiu a marca de 640 mil barris de óleo diários extraídos no local, ou 790 mil barris por equivalência (boe) por dia. A Petrobras informou que atualmente quatro plataformas, P-74, P-75, P-76 P-77, extraem petróleo no local em alto-mar. A empresa planeja deslocar mais duas plataformas para o campo de Búzios em 2022 e 2024, como parte do seu plano estratégico.

Vale (VALE3)

A Vale comunicou na noite de ontem que instalará um Comitê de Auditoria na empresa. O objetivo da companhia é melhorar a governança corporativa. O Comitê terá a função expressa de auxiliar o Conselho de Administração da Vale na tomada de decisões nos assuntos internos e corporativos. O Comitê terá um mínimo de três pessoas. Para compor o primeiro Comitê, foram escolhidas a economista Isabella Saboya de Albuquerque e a advogada Luciana Pires Dias.

BR Distribuidora (BRDT3)

No primeiro balanço anual da BR Distribuidora após a privatização, o lucro da empresa foi de R$ 2,2 bilhões, contra R$ 3,2 bilhões em 2018, uma queda de 31,2%. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 96 milhões, abaixo do lucro de R$ 1,6 bilhão registrado há um ano.

“Apesar da redução no lucro líquido do exercício, o resultado de R$ 2,2 bilhões é bastante relevante e reflete o empenho dedicado ao melhor gerenciamento do passivo da companhia e reforça a trajetória de resultados positivos e de rentabilidade”, afirmou a empresa no relatório ao mercado.

O Ebtida somou R$ 214 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 51% ante o quarto trimestre de 2018. Já o Ebitda ajustado no ano ficou em R$ 3,1 bilhões em 2019, 24% a mais do que em 2018, e em R$ 952 milhões no quarto trimestre, alta de 47,3% contra igual período do ano anterior.

No quarto trimestre de 2019, as vendas da BR Distribuidora, líder de mercado, caíram 4,6%, para 9,9 bilhões de metros cúbicos, contra 10,4 bilhões de metros cúbicos no quarto trimestre do ano anterior. No ano, a queda nas vendas foi de 3,2%, para 40,1 bilhões de metros cúbicos, ante 41,5 bilhões de metros cúbicos em 2018.

A receita líquida com as vendas atingiram caíram 2,8% no ano passado, para R$ 94,9 bilhões frente a 2018, enquanto a dívida líquida da empresa subiu 87,3%, para R$ 4,4 bilhões.

Após uma reestruturação após a mudança de empresa estatal para empresa privada, a BR Distribuidora fechou 2019 com 2.278 empregados, contra 3.134 em 2018, resultado de um plano de incentivo lançado pela companhia.

O aumento da dívida da companhia ocorreu em função, principalmente, da redução do caixa e aplicações no montante de R$ 885 milhões, do reconhecimento dos arrendamentos mercantis em virtude da adoção do IFRS 16, que passou a vigorar a partir de janeiro de 2019, cujo montante em dezembro é de R$ 799 milhões, e da captação de R$ 500 milhões de NCE (Nota de Crédito à Exportação).

“Para o cálculo da dívida líquida, foi considerado o saldo da aplicação no FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) de R$ 190 milhões. O custo médio da dívida bruta da Companhia em 31 de dezembro de 2019 é de 6,0% a.a. (7,0% a.a. em 31 de dezembro de 2018)”, informou a companhia.

Bradesco BBI e Itaú BBA avaliaram como positivos os resultados do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro da BR Distribuidora. Ambos notaram que no ano passado a empresa começou a transição de estatal para companhia privada. O BBI comentou que a BR mostrou “um quarto trimestre forte” com um Ebitda acima das projeções do banco, impulsionado por uma estratégia de preços, ganhos nas importações e nos estoques. O BBI ressaltou que a empresa reduziu despesas e teve uma expansão de 36% no varejo. Mas o banco avalia que a distribuição de dividendos ficou abaixo das expectativas. “A BR anunciou que pagará R$ 585 milhões em dividendos, adicionais aos R$ 540 milhões já anunciados em novembro. Este é um payout abaixo das nossas expectativas, ao redor de 50%. Esperávamos que a empresa retomasse o payout de 95%”, comentou o BBI.

O BBI avalia que o principal risco para a empresa é que a difusão da pandemia do Covid-19 reduza os volumes de vendas no Brasil em 2020, mas isso pode ser compensado pela continuidade no corte de despesas e pelo menor preço dos combustíveis. O BBI mantém a nota “outperform” (acima da média) e um preço-alvo de R$ 37,00 para a ação, uma alta de 63% sobre o fechamento ontem na B3.

O Itaú BBA avalia que a BR mostrou resultados superiores aos projetados tanto pelo banco como pela Bloomberg, com destaque no crescimento das operações do varejo. O BBA também destacou os ganhos de preços e estoques da BR Distribuidora no trimestre e elogiou o programa de redução de despesas e custos. O BBA mantém a nota “outperform” e preço-alvo de R$ 35,00 para o papel, alta de 54% sobre o fechamento de R$ 22,69 na B3.

Azul (AZUL4)

A Azul publicou balanço na manhã de hoje e informou que obteve um lucro líquido ajustado de R$ 436,7 milhões no quarto trimestre de 2019, uma expansão de 352,2% sobre igual período de 2018. No fechamento do ano de 2019, o lucro líquido avançou 35,6% para R$ 1,2 bilhão. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 1,22 bilhão no quarto trimestre do ano passado, crescimento de 61,8% sobre igual trimestre de 2018.

A margem Ebitda foi de 37,8% no quarto trimestre, ante 31% no quarto trimestre de 2018. Já o Ebitda de 2019 consolidado cresceu 34% para R$ 3,62 bilhões. A Azul explica os resultados mais fortes do quarto trimestre pelo crescimento de 31,1% na demanda de passageiros no período, ao mesmo tempo em que seu aumento de capacidade cresceu menos, 30%. A taxa de ocupação no período cresceu 0,4 ponto porcentual, para 83,4%. Outro crescimento expressivo da companhia aérea no quarto trimestre foi no transporte de cargas, que avançou 53%. Em 2019 consolidado, o transporte de cargas cresceu 45% sobre 2018.

A Azul também informou que durante o ano passado acelerou a modernização da sua frota, essencial para reduzir o consumo de combustíveis com aviões mais econômicos. A empresa encerrou 2019 com 140 aeronaves, incluindo 47 das novas gerações da Airbus e da Embraer. O aumento no número de passageiros pagantes entre 2018 e 2019 foi expressivo, de 23,1 milhões em 2018 para 27,6 milhões no ano passado. Os custos da Azul, contudo, também cresceram. Houve expansão de 21,8% nos custos e despesas operacionais no quarto trimestre de 2019, sobre 2018, para R$ 2,5 bilhões. O aumento nos preços do querosene de aviação foi o principal fator, com alta de 8,4% para R$ 831 milhões no trimestre. As tarifas aeroportuárias subiram 30,6%, ou R$ 45 milhões, no período. Mas o preocupante na Azul é o alto endividamento. A dívida líquida da empresa cresceu 47,1% durante 2019, sobre 2018, para R$ 11,9 bilhões. A empresa aérea fechou 2019 com uma relação dívida líquida sobre o Ebitda em 3,3 vezes (3,3x), nível relativamente elevado.

O executivo-chefe da Azul, John Rodgerson, escreveu na mensagem do balanço que a empresa monitora os possíveis impactos do coronavírus no Brasil, mas mantém os seus planos de expansão para 2020. A empresa encerrou 2019 com R$ 4,3 bilhões em caixa.

SLC Agrícola (SLCE3

A SLC Agrícola publicou balanço na noite de ontem e reportou um lucro líquido de R$ 88 milhões no quarto trimestre de 2019, uma expansão de 165% em comparação a igual período de 2018. No consolidado de 2019, a empresa lucrou R$ 315 milhões. Houve uma queda de 22,5% em comparação a 2018. A empresa informou que o lucro teve retração porque a colheita do algodão rendeu uma margem menor na safra 2018-2019. O Ebitda ajustado da empresa foi de R$ 277 milhões no quarto trimestre de 2019, um crescimento de 1,9% sobre igual período de 2018.

Melhoramentos (MSPA3) 

A Companhia Melhoramentos de São Paulo publicou ontem demonstrativo financeiro relativo ao ano passado. A empresa teve em 2019 um prejuízo de R$ 36,5 milhões, ante um lucro de R$ 4,6 milhões em 2018. A receita operacional líquida, que em 2018 foi de R$ 137,6 milhões, em 2019 caiu para R$ 121,7 milhões. A Melhoramentos é uma das editoras mais antigas de São Paulo. A empresa foi fundada em 1890.

IPO da Caixa Seguridade

Diante da atual conjuntura do mercado, a Caixa Econômica Federal solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a interrupção da análise da documentação referente ao registro da oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade, braço de seguros e previdência do banco.

No início da semana, a instituição havia informado intenção de suspender a oferta por três meses devido à turbulência dos mercados. No último dia 10, porém, a subsidiária afirmou que seu acionista controlador não tinha formalizado “qualquer mudança de decisão acerca da oferta”. A operação é estimada em R$ 15 bilhões.

Em fato relevante divulgado nesta quinta-feira, 12, o banco acrescenta que consequentemente a Caixa Seguridade deve encaminhar à B3 o pedido de interrupção da análise da documentação referente à sua admissão e listagem no Novo Mercado.

OdontoPrev (ODPV3)

Na Odontoprev, Luis André Blanco renunciou à diretoria financeira.

(Com Agência Estado)

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