Sette Câmara celebra nova chance na F-1: ‘A Red Bull acredita em jovens talentos’

Sérgio Sette Câmara viveu situação incomum nos últimos dias. Além de ganhar nova chance na Fórmula 1, algo raro por si só, o brasileiro de 21 anos cresceu na categoria ao trocar a função de piloto de desenvolvimento na McLaren pela de piloto reserva da Red Bull. Ele também trabalhará para a AlphaTauri, equipe satélite do time dos energéticos. Assim, suas chances de entrar no grid da F-1 no futuro dobraram porque as duas equipes têm quatro carros no campeonato.

Aliviado e feliz, Sette Câmara não esconde a empolgação pela oportunidade. “A Red Bull tem quatro carros no grid. Além disso, a filosofia deles é de acreditar em jovens talentos”, aponta o piloto, em entrevista ao Estado. “É uma marca que não tem medo de testar coisas novas. Isso joga a favor. Uma equipe conservadora muito provavelmente não colocaria um piloto inexperiente para substituir um mais experiente.”

O brasileiro não nega que se inspira em grandes pilotos que fizeram este caminho na Red Bull até brilharem na F-1, caso do alemão Sebastian Vettel, tetracampeão, e do holandês Max Verstappen, maior estrela da nova geração. “Eu tenho uma grande admiração pelo Max pelas performances dele na F-1.”

A partir de agora, o piloto terá contato direto com Verstappen. “Conheço ele há algum tempo, é gente finíssima, super próximo. Não tem frescura, não é estrelinha. Mas nunca corri contra ele”, disse o brasileiro.

Sette Câmara definiu sua transferência da McLaren para a Red Bull em apenas uma semana. Pouco antes, acertara ainda entrada na Fórmula E, como piloto reserva da equipe Geox Dragon. “Foi tudo muito rápido. Em dezembro eu tinha uma programação não muito interessante para 2020, mas trabalhei duro e as coisas começaram a acontecer também naturalmente”, disse o jovem piloto, em entrevista ao Estado.

Com o acerto, o brasileiro está voltando para a Red Bull/AlphaTauri, onde integrou a academia de jovens pilotos até 2016. Quatro anos depois, já com a Superlicença nas mãos, o piloto terá agora papel de maior relevância nas duas equipes, que contam com ações integradas, mas atuam com independência.

Seu trabalho vai se concentrar no simulador, mas há a possibilidade de participar de treinos livres e de testes ao fim da temporada. As oportunidades, contudo, não estão garantidas. “Num contrato desses, de piloto reserva, eu não levo recursos financeiros, não levo patrocínios. Por isso, não há garantia de presença nos treinos.”

O piloto revela que sua saída da McLaren foi amigável, a seu próprio pedido. Ele contava com propostas de outras duas equipes, além da oferta da Red Bull, com quem conversava “há algum tempo”. “Eu ainda tinha contrato com a McLaren e dependia da boa fé deles para me liberarem. Não me prenderam por egoísmo ou rivalidade [com outras equipes]. Disseram que sabiam que não poderiam oferecer o que os outros ofereceram”, afirmou, referindo-se à chance de ser reserva na Red Bull.

Ele ainda negou que a saída da McLaren tenha qualquer relação com o fim do patrocínio da Petrobrás ao time britânico. “Não havia relação entre os contratos. A Petrobrás havia entrado na equipe antes do que eu. Eles tinham me contratado porque fui companheiro do Lando Norris [hoje titular da equipe]. Eles viram o meu trabalho. Mas é claro que nunca é bom ver uma marca brasileira saindo da F-1.”

Reserva na F-1 e na F-E, o piloto ainda não acertou com nenhuma competição para ser titular neste ano. A Fórmula Indy segue como uma das possibilidades.

Certo mesmo é que o piloto deve se mudar da Espanha para a Inglaterra nos próximos dias. “A sede da Dragon fica em Silverstone e a Red Bull, em Milton Keynes. Estão uma meia hora um do outro. Tinha escolhido morar na Espanha porque é um lugar mais alegre. Mas, agora como profissional, é melhor morar na Inglaterra mesmo. Fazendo isso, vou evitar uns 30 a 40 voos por ano.”

A temporada 2020 vai marcar ainda o fim da passagem do piloto pela Fórmula 2 após três anos. Sette Câmara não esconde que estava cansado da categoria. “Não vai dar saudade. Cansa, né. O ambiente da F-2 é um pouco político, um ambiente que te drena a energia. Além disso, os carros estão cada vez mais lentos, se distanciando da F-1. E eu sempre quis estar perto da F-1.”

*Com informações do Estadão Conteúdo

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