Meu filho pergunta quando verá os amigos de novo, diz brasileira que mora na Itália

A arquiteta Flávia Lourenção, moradora de Saronno, cidade próxima a Milão, acredita ser muito importante que as pessoas se conscientizem sobre a importância de ficar em casa diante do alto número de casos de coronavírus na Itália para que o sistema não entre em crise.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ela relata que tudo ainda é “muito esquisito” e que ações simples do dia a dia, como visitar os sogros e outros parentes próximos, precisam ser evitadas.

“É uma situação bastante particular. Em alguns pontos específicos pode haver controle da Polícia, eles param e perguntam porque você está se locomovendo. Se é por trabalho, você precisa de um documento. Se é para médico, de um atestado. Mas é impossível que todas as cidades sejam completamente controladas”

Ela, que mora próximo a Milão há 12 anos e tem um filho de 4 anos, tenta ocupar o tempo como pode. “Desço com meu filho para jogar bola, mas evitamos contato com as pessoas. Ele está há três semanas em casa e sempre pergunta quando verá os amigos, quando irá para a escola. Eu estou acostumada a trabalhar home office, mas quando ele está em aula. Não é fácil trabalhar e cuidar de criança.”

Mesmo com as dificuldades, Flávia considera que é importante as pessoas se conscientizarem que precisam ficar em casa. “O número de infectados precisa diminuir. Se continuar assim, o sistema sanitário italiano vai entrar em crise porque dados dizem que 10% dos infectados vão precisar passar pela UTI em algum momento — mas os lugares são limitados.”

“Existe uma corrida para aumentar a quantidade de leitos e de profissionais, mas tem risco de sobrecarregar o sistema. É justamente por isso que o governo tomou medidas drásticas. Por sorte, se podemos dizer assim, o maior número de casos está concentrado no norte, que é uma região que tem uma estrutura excelente. O problema é até quando eles vão conseguir sustentar a situação”, finalizou.

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