Crise econômica é a pior desde 2008, afirma economista

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, considera a atual crise econômica mundial a pior desde 2008. Em entrevista ao Jornal da Manhã nesta terça-feira (10), o economista afirmou que a maior dificuldade é a de encontrar políticas fiscais capazes de reagir à situação e retomar o crescimento da economia.

Sérgio Vale considera que a crise econômica atual é a pior desde 2008, quando as economias globais quase entraram em depressão. Segundo ele, embora o problema seja um pouco menor, a maior dificuldade está em encontrar “portas de saída” para a crise.

“Usamos tudo que poderíamos para evitar uma nova depressão. Usamos tanto e continuamos utilizando nos anos seguintes que agora, em uma crise adicional que estamos tendo, não temos mais os instrumentos que tínhamos naquela época.”

Para o economista, é impossível dizer que a economia brasileira não será afetada, já que a situação demonstra uma desaceleração que “joga contra uma recuperação mais efetiva”. “A situação fica mais complexa, crescimento muito baixo, entrando no segundo ano com os resultados ruins, o Banco Central diminuiu os juros e agora o coronavírus. Isso afeta do canal de investimento, não tem como não ser afetado.”

Dólar e a Bolsa de Valores

A respeito da alta da moeda norte-americana o economista acredita que o dólar não deve permanecer por tanto tempo em alta. “Ele vai ficar muito volátil, mas os fundamentos são muito melhores do que era em 2002, por exemplo, com choque cambial. Hoje as contas externas não estão tão ruins, não há fundamentos para ela (moeda) permanecer em alta.”

A expectativa de Sérgio Vale é que, após a expressiva queda de ontem, a Bolsa de Valores do Brasil apresente leve alta, seguindo o que já está acontecendo com as bolsas europeias e asiáticas.

Banco Central

De acordo com Sérgio vale, nas próximas semanas, os bancos centrais irão tentar reagir à crise iminente. Entretanto, para ele, como as políticas fiscais já foram muito utilizadas e, por isso, as possíveis ações do BC para conter a crise não são muito claras.

Para ele, as únicas alternativas que podem retomar o crescimento da economia brasileira são as reformas tributárias e administrativas que tramitam no Congresso Nacional.

Selic

Após queda de juros pelo Banco Central americano, a estimativa de Sérgio é que o BC diminua novamente a Selic, atualmente de 4,25%, podendo chegar a 3,75%, e se mantenha em baixa neste ano. Segundo ele, a eminente crise nas economias globais vai perdurar e, por isso, a taxa deve chegar a 3,50% por cerca de seis meses.

Para o segundo semestre, o economista acredita que, visando 2021 e, com um crescimento um pouco melhor, a baixa taxa de juros não deve ser sustentada, o que aponta um aumento para 2020.

“Será um cenário de crescimento um pouco melhor, o 3,50% de juros não é sustentável por muito tempo. Provavelmente ela (Selic) volta a subir, início de 2021.  Dá pra chegar em 5,5%, com a inflação sob controle, não vejo muitos problemas.”

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