Clima de euforia por conta do coronavírus é inevitável, diz brasileiro em Portugal

Com 39 casos confirmados do novo coronavírus, Portugal teme agravamento da situação por conta da proximidade com a Espanha — que ainda não apresentou planos do que fazer para conter o vírus. Érico Aires, morador de Viana do Castelo, no norte português, destacou que o clima por lá “não é dos melhores.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Érico destacou que, embora o número pareça pequeno, 39 casos é alto para o país — que tem 10 milhões de habitantes. Em comparação com o Brasil, é como se todos os casos se concentrassem apenas na cidade de São Paulo.

De acordo com ele, já se fala na possibilidade do fechamento das fronteiras do país — apesar de não ser uma informação oficial. “Essa é uma notícia que ninguém gostaria de ouvir. Portugal depende da circulação de pessoas, o país depende do turismo. As pessoas estão muito preocupadas com o que pode acontecer.”

As visitas em hospitais, asilos e presídios foram suspensas temporariamente, já que os idosos são o maior grupo de risco para o Covid-19. “As pessoas começaram a ter um comportamento de pânico, de estocar alimentos. Isso não é bom. O governo até tenta combater o clima de euforia, mas é inevitável.”

Érico Aires ressaltou que a suspensão de aulas, por exemplo, tem trazido questionamentos para a população. “As principais faculdades públicas de Portugal suspenderam as atividades, nas cidades centrais cerca de 15 mil alunos estão com as aulas suspensas. O que os pais dessas crianças vão fazer? Como vão trabalhar?”

Segundo ele, o congresso já debate sobre “quem vai pagar” essa conta. O serviço equivalente ao INSS local é responsável por bancar parcialmente o salário dos trabalhadores afastados. A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, foi chamada para prestar esclarecimentos.

“Ela propôs que quem estiver em quarentena preventiva seja enquadrado como nos casos de tuberculose, onde o benefício é pago em 100% e o financiamento público ajuda.”

Aires teme um “efeito dominó” nas indústrias, já que os setores na Europa funcionam de forma segmentada — ou seja, um país depende do outro. “Isso pode provocar um efeito em cadeia com todo o mercado. Ainda é recente, mas espero que encontram uma saída para evitar que isso aconteça.”

Outro setor que também preocupa é o das empresas aéreas. De acordo com Érico, as europeias estão calculando uma quebra de 25% do movimento.

“Para um mercado tão volátil, uma queda de 5% já seria horrível. Eu realmente não sei se muitas empresas vão conseguir segurar os negócios. Eu prevejo uma queda nos preços para tentar aumentar a procura, mas quem é que vai querer viajar agora?”, questiona.

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